Às mulheres,
- Victoria Passos

- 9 de mar.
- 3 min de leitura
Na sexta-feira embarquei para o Rio de Janeiro para a despedida de solteira de uma grande amiga. Como é de praxe nesses momentos me preparei para beber demasiadamente e conhecer as amigas dela que não conhecia ainda. Tem algo muito bonito em conhecer as amigas das suas amigas. Existe um vínculo que nos conecta, de certa forma. Existe algo muito potente em vivenciar amizades femininas nos dias de hoje.
No voo de ida li É tempos de morango, de Bruna Martiolli, uma grande amiga também. Ali, lendo suas palavras conheci outro lado de Bruna, até então desconhecido para mim. Já sabia que ela era uma pessoa formidável, mas ao ler seus textos vi uma Bruna que sente muito do que eu também sinto. Vi a dor de perder uma avó, o que me lembrou da minha própria dor de perder meu avô, algo que, apesar de eu não falar muito sobre, ainda pesa em meus ombros. Me dói viver em um mundo onde meu avô não vive mais, mesmo sabendo que faz parte do ciclo natural da vida. Vi a confusão de não entender bem como se chegou a tal situação da vida e de querer, desesperadamente, sair dela. Me reconheci no refúgio dos livros, da leitura e da calma. Ao lê-la vi quanto de mim tem nela. E poucas coisas na vida são tão legais quanto se reconhecer em pequenos fragmentos de uma mulher que você tanto admira.
No final de semana vi mulheres cuidando uma das outras. Se emocionando com a alegria de saber que sua amiga encontrou alguém que ela merece e vice-versa. Se divertindo como se não fosse um mundo cruel para nós, mulheres. Vi amigas se reencontrando depois de quase um ano sem se ver e lembrei da minha melhor amiga que está em outro continente e, às vezes, eu me lembro que não sei quando irei vê-la novamente. Vi mulheres se conhecendo e se divertindo juntas como se se conhecessem a vida inteira!
Domingo foi dia das mulheres, uma data complexa e importantíssima. Sabemos que a data vem de um acontecimento trágico. No dia 8 de março de 1857, em uma fábrica de tecidos de Nova Iorque, uma greve de operárias e um incêncio onde 130 mulheres, que estavam lutando por melhores condições de trabalho, morreram. É uma data em que todo ano eu me lembro a dor e a delícia de ser uma mulher. E eu me vi num final de semana rodeada de mulheres incríveis. Algumas eu já conhecia e já admirava. Outras conheci ali e admirei ali mesmo.
Na minha vida eu tive, e tenho, a sorte grande de estar rodeada por mulheres. Mulheres que me criaram. Que me deram suporte. Que me salvaram. Minha avó tem uma doçura que esconde sua inabalável fé. Minha mãe é uma fortaleza. Minhas tias, minhas primas, todas me moldaram na mulher que sou hoje. E minhas amigas, as que me conheceram na infância e as que chegaram mais tarde na vida. Todas elas são igualmente importantes na minha vida. Todas elas fazem parte de mim. As admiro, as amo e as respeito. Acredito muito numa frase que diz que somos um pouco de todos que convivem conosco. Nesse quesito estou bem servida. Todas as mulheres da minha vida, me transformaram na mulher que sou hoje. Carrego um pouco delas em cada parte de mim. Me inspiro na sua força quando já não tenho nenhuma. Me apoio em seus abraços quando algo ruim acontece. Me padeço com seus tristezas e me revigoro com suas alegrias.
E as mulheres que não conheço. As mulheres que nunca se viram na vida, mas cuidam uma das outras diariamente, no ponto de ônibus, na rua escura, no mercado. As mulheres que estão atentas e prontas para salvar outra mulher nesse mundo tão cruel conosco. A todas as mulheres que não conheço mas que, de certa forma, também me fazem ser eu. Não lhes darei parabéns hoje, porque eu acredito firmemente que os parabéns são diários, mas lhes direi que não há no mundo nada igual a nós. Espero que permaneçamos atentas, fortes e prontas para o que precisarmos, mas além disso espero que um dia, possamos apenas existir e aproveitar, sem ser necessário estar atenta, forte e pronta, eu ainda acredito nisso!
Ainda bem que na vida existe nós, mulheres! Seguimos juntas!
Nos falamos em breve, beijo




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