oi, tudo bem?
- Victoria Passos

- 1 de mai.
- 2 min de leitura
Faz um tempo que eu não venho aqui escrever sobre qualquer coisa, né? A vida fica meio corrida e a gente esquece de tirar um tempinho para fazer coisas que nos fazem bem. Vamos escolhendo o que cabe dentro da rotina, priorizando coisas que devem ser priorizadas. A vida adulta no seu auge. Não é a primeira vez que a escrita fica de escanteio, infelizmente entre trabalho, casa, lazer eu acabo deixando os cadernos fechados, as canetas tampadas e o computador acaba servindo para outros propósitos menos criativos. O que é uma pena para mim, porque eu realmente gosto de escrever. Admito que achava mais fácil escrever quando era mais nova, acho que é porque via a minha escrita como algo muito vital para minha sobrevivência enquanto pessoa. Como se o fato de escrever me mostrasse quão viva eu estava, faz sentido? Sei que na época fazia.
Era quase como se eu estivesse me afogando e cada texto escrito me desse um pouco mais de oxigênio. Quando eu era mais nova eu era mais intensa, sabe? Sentia mais. Por um lado era muito ruim, mas por outro lado era muito bom sentir tudo aquilo. Eu sentia que meus sentimentos eram tão reais. Quase tudo era o fim do mundo. E daí o fim do mundo acabava nem chegando. Olhar para trás hoje é também validar tudo o que eu senti, tudo o que eu escrevi e tudo o que eu vivi.
A vida que eu tenho hoje pareceria surreal para a menina que escrevia chorando em cadernos sobre amor. Ela nunca imaginou que as coisas dariam tão certo, as várias formas de dar errado eram mais latentes na imaginação. O sofrer, o chorar, o doer. Como eu disse antes, tudo era o fim do mundo, mas não era.
Eu nunca imaginei casar com trinta anos. Nunca imaginei que teria um relacionamento que não me faz sentir nada além de paz. Nunca imaginei que ficaria tanto tempo sem escrever uma palavra sequer, mas cá estou eu. E enquanto fico pensando em tudo o que já foi, me pego pensando em tudo o que virá, confesso que me dá um pouco de medo. E acho que isso também faz parte da vida, né?
Talvez a graça de viver seja bem essa. Não saber o que o futuro vai nos ofertar. Só somos surpreendidos pelo desconhecido. Por isso eu tenho tentado abraçar o incerto, acolher a dúvida e sentar confortavelmente com a minha xícara de chá enquanto tento não pensar no que eu gostaria pro futuro.
Nos falamos em breve, beijo




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