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Viver na velocidade normal.

Estamos nos acostumando com a vida na velocidade 2x, já notou? Há algum tempo venho sentido que não estou vivendo o momento, parece que estou sempre esperando o que vem a seguir, não é algo intencional, quando eu presto atenção já aconteceu. Acordo, vou passear com meu cachorro enquanto escuto um dos podcasts que escuto diariamente. Como tenho vários na fila, coloco na velocidade 2x para ir mais rápido. Ir mais rápido aonde? Para que? Passo o passeio inteiro intercalando entre prestar atenção no assunto que está passando correndo por mim e a prestar atenção no meu percurso, no meu cachorro, nos cachorros dos outros. Meu foco não está em nenhum lugar.

Quando vou trabalhar me acostumei a fazer várias coisas simultâneas, como estou lá há muito tempo é meio natural para mim, mas na verdade não tem nada de natural nisso. Como sou humana e não uma máquina erros acabam acontecendo e daí eu me culpo por eles. Como se fosse minha culpa não conseguir focar cinco minutos para corrigir algo enquanto o telefone toca, as dúvidas chegam e o balcão está lotado.

Em casa eu cozinho vendo série, ou vendo o Instagram, sento na mesa e automaticamente pego meu celular depois de uma conversa breve com meu marido. É automático. Às vezes me parece que eu vivo no automático. Sei que não é a verdade, mas o sentimento ainda permanece aqui. Isso que minhas horas diárias de celular não são relativamente longas. Fico numa média de 4 a 5 horas diárias. E, mesmo assim, me sinto sugada por ele. Me sinto sugada pela vontade de fazer mais, de fazer mais rápido, de produzir mais, de viver mais. No fim, não faço nada disso porque estou tão ocupada em fazer tudo que acabo fazendo nada.

Escrever é a única coisa que eu só consigo fazer quando estou cem por cento dedicada. Quando minha mente dissipa todas as outras coisas que enchem minha cabeça diariamente. Talvez por isso eu demore tanto para escrever. São raros os momentos que eu me permito não pensar em várias coisas. Mas ultimamente tenho pensado muito nisso, em estar presente o máximo que eu puder, em tudo o que eu fizer. É algo que sei que é importante e às vezes se perde no dia a dia, na correria e nas pequenas coisas que já nos são automáticas.

Hoje de manhã saí para caminhar com o celular e o fone de ouvido, mas ouvi o podcast na velocidade normal. Quando entrar no trabalho o celular ficará na bolsa. O almoço será feito com música. Não pegarei no celular durante as refeições. Quero que minha atenção não fique intercalando sem fim. A vida não é uma corrida sprint.

Me parece que é mais como uma maratona, apesar de nunca ter feito uma. A presença é indispensável. A dedicação integral. Você escolhe seu ritmo. Os desafios são todos seus. Tal qual a vida que se vive.

Nos falamos em breve, beijo



1 comentário


Amei, Vica! A grande maioria vive assim, eu acredito. E é ainda pior pra quem toma consciência disso, né? Me sinto da mesma forma. Acho que precisa ser um exercício e lembrete diários pra desacelerar e concentrar numa coisa por vez. E não sei vc, mas eu tenho me sentido exausta no final do dia de uma segunda-feira, por exemplo, e não fisicamente, mas mentalmente, com o tanto de coisa que a gente faz e vê e lê e tem que resolver.

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oie,

pode falar ::)

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