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O Carnaval me pegou...

Foi numa sexta-feira, dia 6 de fevereiro, às 23h45min., que o Carnaval me ganhou. Eu tenho o horário porque tenho o vídeo no celular, embasbacada com tudo o que eu assistia com meus próprios olhos e não acreditava. Nossa ida até os ensaios das escolas de samba não tinha sido com foco em ver as escolas, mas sim porque teria show do Xamã depois, não preciso nem dizer que não vi nenhum show dele. Eram os ensaios, não tinha os carros alegóricos, as fantasias brilhantes, mas tinha algo que supera tudo isso.

Um amor genuíno de cada um que estava ali, fazendo o que tinha que fazer pelos seus. É algo tão potente, tão arrebatador que até me parece injusto tentar colocar em palavras, mas ainda sim tentarei. Durante muito tempo eu dei pouca atenção ao Carnaval em si. Gostava do feriado, mas o utilizava para ver série, ler livros e descansar. Não me entendam mal, nunca julguei o Carnaval como obsceno ou perda de tempo, mas não parecia me pertencer, mas foi naquela sexta-feira, toda molhada da chuva incessante que caiu pouco antes, que eu me rendi.

É inexplicável o que se sente quando a bateria começa a tocar, é inacreditável enquanto você assiste com seus olhos, ouve com os seus ouvidos e sente com seu coração. É impossível ficar parado, é impossível não se emocionar com as escolas, com a comunidade de cada uma, com a velha guarda, com as passistas, com as crianças. É impossível não derramar uma lágrima. Só dá para sentir mesmo. Não tem como explicar.

Carnaval é alma! Carnaval é cultura! Carnaval é emoção! Carnaval é sentimento! Carnaval é história! Carnaval é pertencimento! O Carnaval é a coisa mais brasileira que eu já vi com meus próprios olhos.

Saí de lá com a certeza que voltaria para ver os desfiles. Saí de lá querendo ouvir todos os samba-enredos. Saí de lá com a certeza de que assistiria os desfiles e torceria para quem me emocionasse mais. E assim o fiz. Durante uma semana só tocou samba enredo no meu celular. Já tinha inclusive favoritos só de ouvir, mas foi nos desfiles que Viradouro veio e me emocionou, eu assisti do sofá de casa aos prantos enquanto via Mestre Ciça sendo amado em voz alta pela sua escola, pela sua comunidade, por todo mundo que estava naquela avenida. Chorei do começo ao fim. Chorei sem conhecer a história por trás, não conhecia Mestre Ciça até então. Mas o conheci da forma mais bonita que pode se conhecer alguém. Enquanto ele era homenageado, em vida, pelos seus.

Ontem Viradouro foi campeã do Carnaval de 2026. Eu torci como quem torce por um time de futebol. Fiquei ligada nas notas mesmo sem entender absolutamente nada. Torci pela Viradouro, pelo Mestre Ciça e por toda a escola. Me emocionei de novo.

Porque o Carnaval é isso, emoção. É chorar sem entender o motivo. É rir sem entender porquê. Ainda bem que o Carnaval me pegou de jeito em 2026. Ano que vem quero estar lá, pertinho, assistindo O Maior Espetáculo da Terra, bora?

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oie,

pode falar ::)

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