Voamos, para longe, um do outro
- Victoria Passos

- 18 de jan.
- 2 min de leitura
Visitei uma amiga minha hoje e acho que é impossível levar uma conversa sem citar o nome do bendito. Papo vai, papo vem, pá. O nome dele caiu ali. Hoje eu já não fujo desse nome, tão temido por mim meses atrás. Hoje eu aceito o assunto de bom grado. Falo dele mesmo. Oras, quem foi embora foi ele. Quem fingiu que a gente não teve nada foi ele. Não eu.
Mas o texto não é bem sobre isso. No meio da conversa eu falei que eu me perdi muito por ele. No caso eu me perdi de mim. Deixei de fazer muita coisa porque estava com ele e naquele momento ele era minha prioridade. Talvez esse tenha sido meu erro, eu o tornei o centro de tudo. Fiz tudo. Larguei o que precisei para estar ao lado de alguém que nunca me pôs em primeiro lugar. Só eu cedi. Só eu me doei. Só eu me deixei. Não há relacionamento que sobreviva a isso. Ninguém consegue amar por dois. Ninguém consegue ceder por dois.
E hoje, ao conversar com a amiga que foi quase que nosso cupido, eu percebi que o nosso término era necessário. Ele precisava seguir o caminho dele e eu não me encaixava ali. E eu não seria feliz no caminho com ele. Mas permaneceria ali, porque o amava. Às vezes eu gosto de pensar que ele sabia disso e por isso terminou (e não porque ele é um egoísta do caralho). Às vezes faz bem sonhar. Eu vejo que já não seria feliz com ele. Eu me prenderia cada vez mais para estar ao lado de alguém que queria voar, assim como eu. A diferença é que eu o amava a ponto de não bater minhas asas. E se eu as batesse gostaria que ele estivesse do meu lado. Mas acho que ele precisava voar sozinho. Acho que ele precisa ser ele e eu preciso ser eu.
E nossos sonhos não se batiam. Eu quero concurso, ele quer viajar e talvez morar fora, talvez eu fosse com ele. Mesmo sabendo que o concurso veio muito antes dele. Que esse sonho veio muito antes de mim. E eu não vi nada disso quando estava junto dele. E nem quando a gente se separou. Mas eu vejo agora. Os nossos sonhos não batiam. As nossas vidas vão nos levar para lugares diferentes. E tudo bem.
Loiro. Eu não sei porque você terminou. Não entendo até hoje porque você quis que não sobrasse um pingo de carinho por você dentro de mim. Não entra na minha cabeça, mas tudo bem. O mundo acabou não acabando. Eu achei que tudo ia sucumbir, mas não sucumbiu. As coisas continuam do mesmo jeito por aqui, mesmo sem você. Eu entendo agora que não era para ser. Vou tentar não lembrar mais de você, mas quando lembrar vou tentar me lembrar que estou aqui por causa de você. Que ao acabar você acabou me deixando voar. Eu vou seguir minha vida sem você e eu vou continuar os sonhos que vieram antes de você.
Espero que você voe longe loiro, sempre torço por você.

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