Ainda existe você em mim...
- Victoria Passos

- 18 de jan.
- 2 min de leitura
Texto escrito em 5 de outubro de 2017
Estou sentada na sacada de casa, esperando dar a hora de fazer uma ligação e estou pensando em você.
Tenho que ligar para alguém e dizer que não dá mais. Que talvez nunca tenha dado. E que talvez nunca dê. Infelizmente você é o culpado. E eu também sou. Dividirei esse fardo com você. Ambos temos culpa no cartório. Mas caso o alguém fique chateado (o que pode acontecer) essa culpa eu tomo toda pra mim.
Você se lembra da casa? Você nunca chegou a ver ela pronta. Você nunca brincou com os cachorros no jardim, nem tomou banho na banheira que eu tanto queria. Você nunca viu a piscina, e nunca sentou na sacada comigo. Você perdeu muita coisa nesse último ano que passou (eu sei que eu também perdi).
Mas eu vim dizer que não cicatrizei. Logo eu que (antes de você aparecer) achei que não tinha mais como alguém me machucar mais do que eu já estava machucada. Achei que ninguém mais me faria sofrer. Mas você fez. E eu virei medrosa por causa de você. E por causa de mim. Agora existe alguém que parece ser uma pessoa legal, que me trata bem e que me quer bem, o problema é que eu não quero ele.
O problema é que eu não quero ninguém.
Você entende? Eu tenho medo. Mais do que medo, eu não tenho vontade. Me acomodei a sentir saudades de você, e a ficar bem sozinha. No fundo acredito que ficar com alguém, ter algo mais sério, é trair um pouco o sentimento que sobrou por você. Eu sei que não era sua intenção quando você foi embora (na realidade eu espero que não tenha sido). Mas aconteceu (ultimamente eu tenho achado a palavra aconteceu muito engraçada).
Aconteceu que você foi embora, e aconteceu que eu me vi (novamente) numa situação que não desejo a ninguém. Não me entenda mal, não estou aqui para dizer que ainda te amo. Até porque acredito que não há como te amar (eu nem te conheço mais). Mas a nossa história eu ainda carrego com imenso carinho (apesar de me causar imensa dor).
E aconteceu que depois de muito tempo eu esbarrei com alguém muito querido, mas eu não quis nada com ele. Talvez porque ele não era você. Ou talvez por causa de você.

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