Sobre passado, presente e futuro.
- Victoria Passos

- 18 de jan.
- 2 min de leitura
Texto escrito em 12 de janeiro de 2017.
Estou há dias querendo escrever, mas eu sentava no computador e ao escrever via que não era nada do que eu queria falar. Parava. Apagava tudo e desligava o computador. Talvez não seja mais para eu escrever, pensei comigo. Mas a verdade é que eu escrevia sobre amor e meu amor se foi. Então eu comecei a escrever sobre dor, mas eu acho que a dor tá indo embora também. Por isso eu já não sei mais sobre o que escrever.
Então eu tirei uns dias para mim e percebi que eu posso escrever sobre o que acontece depois do amor e depois da dor. Posso escrever sobre os dias depois do choro, da dor de cabeça e dos olhos marejados. Esses dias que dificilmente alguém fala sobre. Eu resolvi então escrever sobre mim. Sobre o que ficou comigo depois de toda essa história até hoje mal resolvida. Sobre os dias bons e os momentos ruins (que existem dentro desses dias bons). Sobre a saudade que muitas vezes ainda aperta o peito e sobre a liberdade. Vou escrever sobre mim e, inevitavelmente, sobre ele. E sobre o que ficou aqui, o que ficou lá atrás e o que virá logo ali.
Porque depois de um término a gente perde o rumo, perde o jeito, parece que a gente morre. Daí a gente renasce. Renasce para aprender a viver sem aquele alguém. Tem que aprender tudo de novo. Tem que acordar sem a pessoa do lado, pedir comida chinesa "só para uma pessoa, por favor", tem que lembrar que, no cinema, só vai você. A gente se reinventa depois de um término. Faz tudo o que nunca fez antes da pessoa, e nem quando estava com ela. No meu caso eu saí mais. Bebi mais. Conversei mais. Eu fiz tudo mais. Escrevi mais (e escrevi pro mundo ler, coisa que nunca fiz). E no final eu me amei mais.
Eu vivi momentos que quis dividir com ele. Mas lembrei que se estivesse com ele jamais teria vivido tais momentos. Eu chorei no colo do meu irmão, ele limpou todas as lágrimas do meu rosto e me fiz rir logo depois. Eu pensei nele muitas vezes, algumas com saudade, outras com raiva e todas com amor. Eu fiquei feliz por ele quando soube que ele tinha sido efetivado na empresa e passado no integrado. Daí fiquei triste porque não pude parabenizá-lo. Não pude comemorar com ele. Mas daí saiu o edital do meu concurso, bem para o Estado do Rio de Janeiro. Eu pensei nele só um minuto "será que ele teria ficado feliz por mim?". Mas tive que me virar nos trinta e resolver o curso, a pós e o TCC. A vida não parou para mim. A vida não parou para ele.
A vida continuou. Mesmo sem ele. Mesmo sem mim. Ele continuou sem mim (mais facilmente, admito), mas depois de um tempo eu continuei sem ele. Apesar de achar que sempre vou guardá-lo em mim, eu vi que a vida sem ele não é tão ruim assim.

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