Sete dias.
- Victoria Passos

- 18 de jan.
- 2 min de leitura
Texto escrito em 10 de dezembro de 2016
Daqui sete dias vou te ver. Tenho sete dias para decidir se piso naquele salão de festas ou se fujo dessa cena. Três meses se passaram. Não trocamos uma palavra desde que você se foi e agora, daqui sete dias, eu tenho que olhar pro teu rosto que já me foi familiar.
O rosto que eu pensei que ia me ver no altar. Que eu veria ao acordar naquela casa que sonhamos juntos.
Eu não me lembro mais do seu rosto, pelo menos não da sua feição completa. Lembro de resquícios dele. Lembro que seu cabelo é loiro e que sua barba é falha. Lembro que costumava chamar seus olhos de girassóis. Mas não consigo encaixar as peças e formar seu rosto inteiro na minha cabeça. Acho que foi uma forma que meu corpo achou de se proteger, uma autoproteção advinda de extrema necessidade. O meu corpo se adaptou quando comecei a me auto sabotar.
Mas agora, o meu corpo não tem como fugir dessa. Você vai estar no mesmo recinto que eu daqui sete dias e eu já avisei minha psicanalista que precisaremos de umas belas horas para sobreviver ao reencontro. Ela entendeu. Mas ela acha que eu devo ir. Ela disse que é preciso enfrentar e que às vezes o amor nem existe mais. Que é só fantasia da minha cabeça. Parece que eu fantasiei muita coisa depois que você se foi.
Mas então, falta uma semana e eu ainda não decidi. Fico me perguntando se você está em casa pensando na mesma coisa. Se você também ainda não sabe o que vai fazer. Se você também não sabe o que vai sentir. Porém uns minutos depois eu tento parar de pensar no que você está pensando. Afinal você não deve ligar. Você foi embora para nunca mais voltar.
É isso. Sete dias para eu ter que olhar na tua cara, depois do inferno que você me fez passar, e sorrir. Te dar oi, e fingir que meu coração não vai quebrar no segundo que eu te reconhecer. Ou então pra eu ver que não é mais nada disso. Que você, agora, não é mais nada. Apesar de você ter sido tudo.

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