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O amor que fica

Texto escrito em 1 de julho de 2017.


Eu ainda sinto falta dele.

Não tenho como começar a escrever sem falar isso. Depois de todo esse tempo eu ainda sinto falta desse desgraçado. (perdoem o linguajar). Sei que falta alguma coisa, e sei que não é alguma coisa, é alguém. É o bendito. Ele mesmo. Aquele que não me quer. Que não pensa mais em mim. Que foi embora para nunca mais voltar.

Eu sinto falta até do cheiro dele. Sinto falta de acordar com um dos gatos passando por cima de mim, ou com o irmão dele berrando por causa do jogo online. Sinto falta de olhar pro lado e ver ele babando no travesseiro com a fronha que a mãe dele deu. Sinto falta do óculos dele na minha cabeceira, e do xampu de criança no meu banheiro. Sinto falta das escovas de coração que se completavam na minha pia. Eu sinto falta do tênis verde que ele amava.

Eu me redescobri desde que ele partiu. Eu literalmente renasci das cinzas. Mas não importa o tempo que passe, eu ainda sinto falta dele. E sinto falta de mim também. De como eu acreditava nele. De como eu amava ele. De como eu sempre imaginava o nosso futuro juntos. Eu sinto falta de quem eu era ao lado dele também. Sinto que depois que ele foi embora eu deixei de acreditar um pouco. Ainda não sei se deixei de acreditar em mim, ou só no amor mesmo.

A minha vida mudou, a dele também. Eu conquistei várias coisas ( e desejei ele do meu lado em todas), e sei que ele conquistou mais ainda (quis muito estar ao lado dele também). Desde que ele desceu do meu carro em frente à faculdade eu nunca mais fui a mesma. Eu nunca mais comi miojo, nem yakisoba. Eu nunca mais terminei as séries que a gente via junto. Eu nunca mais assisti nenhum filme que vi com ele (e eu adoro rever filmes). E nunca mais parei de sentir a falta dele. Seja dentro do carro, seja na sala de cinema, seja quando minha mãe faz strogonoff. Às vezes eu sonho que nada disso aconteceu, e ao acordar sem ele ao lado, sinto meu coração quebrar mais um pouco por causa da saudade.

E às vezes, eu penso que talvez essa saudade nunca passe.

Talvez eu nunca mais ame alguém do jeito que eu amei ele. Talvez o banco do carona sempre pareça vazio, e o nicho do banheiro sempre falte o xampu dele. A escova de dente. O perfume da Calvin Klein. O remédio de asma. Talvez tudo isso permaneça fazendo falta. Talvez outra pessoa chegue, com outro xampu, outro perfume, outro remédio. Mas o espaço vazio talvez nunca mais se complete.

Eu acho, honestamente, que ele era o amor da minha vida. Eu só queria que eu fosse o amor da vida dele também.

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