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Nossa história que só eu me importo.

Texto escrito em 6 de dezembro de 2016.


O mais difícil até agora foi aceitar. Aceitar que você abriu mão dos sonhos que sonhamos juntos, que você foi embora e nunca olhou para trás, você nunca mais olhou para mim.


Desde que você se foi eu me vi em total negação. Negando para mim que você fez o que fez. Como era possível que você agisse com tanto desprezo comigo?


Você nunca olhou para trás. Nem um minuto sequer. Você não lembrou da primeira vez que nos reencontramos naquela formatura e nem da mensagem que eu mandei. Você não olhou pros almoços e nem para as conversas que tivemos. Nem nos momentos de silêncio confortáveis você pensou. Você não lembrou de como a minha perna se enroscava na sua perna no domingo de manhã, ou de como eu lutava contra o sono para dormir no mesmo horário que você. Você ignorou as noites em claro fazendo maquete e as manhãs sonhando com uma casa, um filho e um cachorro.


Você abriu a porta e me deixou num quarto que cheirava a nós, com todas essas lembranças que você não lembrou.


Nossa história ficou comigo. Parece que eu fui a única que a considerou importante. Nossa história ficou encravada no meu peito, porque eu não queria aceitar que ela — tão bonita — teve um ponto final.


Então eu fiquei. Num mausoléu criado por mim para o nosso amor. Para a nossa história.


Faltava você. Não era para ser um mausoléu. Era para ser uma história escrita a dois, não uma história banhada de choros e angústias. Era para ter romance, amor, companheirismo e nós dois. Mas só tem eu.


Eu, a única que escreve sobre a nossa história. Minhas palavras são a única coisa que lembram do amor que eu senti por ti. São meu único refúgio quando a saudade me deixa vazia, quando eu queria estar cheia de ti.


Eu não sei por quanto tempo mais a nossa história vai viver nas páginas. Porque como diz Clarice, quem vai querer ler um livro sobre uma pessoa só?

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