Minha afilhada ainda sente sua falta, e eu também.
- Victoria Passos

- 18 de jan.
- 2 min de leitura
Texto escrito em 16 de novembro de 2016.
Minha afilhada ainda sente sua falta.
Hoje enquanto a gente brincava, percebi que ela lutava contra a vontade imensa de pedir para gente fazer um castelo, porque eu nunca fiz castelo nenhum, quem fazia os castelos era você. Eu só olhava, ria e pensava como nosso filho iria amar seus castelos.
Mas hoje ela queria um castelo no sofá, e ela não queria pedir para mim, porque mesmo com seus quase três anos ela sabe da minha dor. Ela sabe porque dói nela também. Ela também te amava, assim como eu.
E eu fiz o castelo. Sem ela pedir. E ela me olhou com os olhos marejados e a gente se abraçou por um minuto e destruímos o castelo enquanto eu me segurava para não chorar.
Você impactou a vida dela. E a minha. Mas a gente passou voando por você. E eu não sei como pode ser.
Ela nunca mais vai te ver e eu me culpo porque fui eu que te trouxe para vida dela. Você foi a primeira partida que ela teve. A primeira pessoa que ela conviveu e nunca mais vai conviver na vida.
Você foi o primeiro que foi embora sem não ter ido a lugar algum.
E me dói saber que eu que causei essa dor nela.
Ela tem três anos e sente sua falta todas às vezes que me vê. Eu sinto sua falta todas às vezes que eu me vejo. E você vive sua vida sem sentir falta de nós. O que eu não entendo.
E tudo bem. Eu não entendo, mas tá tudo bem.
Hoje eu fiz o castelo para ela. Talvez da próxima vez ela me peça para fazermos de novo. Talvez o castelo vire uma coisa nossa e deixe de ser algo que você fazia.
Talvez a gente esqueça de você. Talvez você vire mais uma pessoa no meio de tantas outras pessoas que já se foram um dia.
Por enquanto você ainda é aquele que fazia castelos para minha afilhada, e por mais que eu te odeie eu ainda sinto sua falta.

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