Lidando com o que fica.
- Victoria Passos

- 18 de jan.
- 2 min de leitura
Texto escrito em 17 de janeiro de 2016.
Eu queria lhes dizer que todos os dias têm sido ótimos. E que eu nunca mais senti vontade de estar com ele. Mas eu não minto e por isso é necessário dizer que nem todo dia é ótimo e que, às vezes, no meio do dia eu ainda me sinto extremamente sozinha.
Eu queria muito sentar para escrever e conseguir escrever que superei. Que foi-se. Que acabou. Mas seria hipocrisia da minha parte, porque da minha parte não acabou. Porque não é fácil superar. Não é fácil seguir em frente. Não é tão simples quanto os amigos falam. Seguir em frente é difícil pra caralho. E dói. Dói todos os dias.
Meu coração foi destroçado há quatro meses e ainda dói. E ainda não cicatrizou. Talvez nunca cicatrize. E todo dia é uma luta interna. Porque quanto mais eu esqueço mais eu me enlouqueço. Porque eu disse que era para sempre. Eu quis tanto que fosse para sempre. E a escolha de acabar tudo isso nem foi minha. Mas com 21 anos na cara eu descobri que cabe a mim lidar com a bagunça que o outro deixou.
E com toda essa bagunça eu percebo que o meu tempo de luto ainda não acabou. Eu passei por vários estágios, mas ainda não chegou no final. E tudo bem. Depois de um tempo você começa a aceitar que você tem seus momentos de fraqueza, momentos em que você daria tudo para que o outro voltasse arrependido, com o rabo entre as pernas, te pedindo perdão, para que vocês fossem felizes para sempre (apesar de você não acreditar mais nisso). E você aceita seus momentos de gratidão. Em que você se sente plena caminhando na rua sozinha, ou vendo o pôr do sol. A vida é feita desses momentos. Você também aceita os seus momentos de raiva pura, em que você sente que se visse o outro passando na rua, o atropelaria com o carro (mentalmente, é óbvio).
Você aceita que você é humana.
E ao aceitar isso você aceita que o outro também é. Que ele, ou ela, teve seus motivos para ir embora de uma vez. Você aceita que o fechamento desse ciclo não tem tanto a ver com quem se foi, mas sim com você, que ficou. E com o seu tempo para lidar com tudo isso que também ficou.
Acho que os dias ruins, no final, também são bons. E acima de tudo, necessários. Porque ninguém é feliz o tempo todo. Como disse Meredith Grey: "Not everybody has to be happy all the time. That's not mental health, that's crap".

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