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Eu madura, você criança

Texto escrito em 22 de dezembro de 2016.


Eu não ia mais escrever nada para você. Primeiro porque você não merece uma palavra minha, segundo porque eu não aguento mais sofrer por ti. Mas escrever faz parte de quem eu sou e você faz parte de quem eu fui, e eu só sei escrever sobre amor. Por incrível que pareça, você ainda é amor para mim, ou ódio, mas dizem que o ódio é derivado do amor.

Você não me deu oi seu desgraçado. Queria escrever filho da puta, mas amo sua mãe e a coitada não tem culpa de você ser um imaturo do caralho. Depois de ter ido embora por uma mensagem no WhatsApp você entrou no mesmo recinto que eu e fingiu que não me viu. Você acha mesmo que eu sou otária? Pelo amor de deus. Que tipo de pessoa passa por um relacionamento com você e depois de acabar não tem a pachorra de dar oi? Você. Seu criança.

Quando você entrou eu engoli uns três brigadeiros. E tive um ataque de riso. Achei que ia ser isso, mas logo depois chorei umas três vezes. E bebi muito. Eu ouvia sua voz e me dava vontade de pegar aquela chopeira e dar na sua fuça. Mas não fiz nada disso. Infelizmente. Quando você falava alguma coisa eu me segurava para não aparecer na sua frente e falar oi, me segurava para aguentar o choro e pedia mais um chopp. Me afogava no álcool mesmo. E no brigadeiro.

Depois de mais chopps do que eu posso contar eu parei de chorar. Eu conversei com nossos amigos e tirei fotos com todo mundo, menos com você. Até na hora da foto você correu pro banheiro. Foi assim que eu percebi que a única pessoa que perdeu algo com o fim do nosso relacionamento foi você. Porque eu estava pronta para ter uma vida contigo e tu não tá pronto nem pra me dar oi, depois de tudo o que vivemos juntos.

Eu, que passei dias pensando em como seria esse nosso reencontro, tomei a mais alta dose de decepção. E eu achava que não tinha como você me decepcionar mais do que já tinha decepcionado.

E mesmo com tudo isso eu ainda escrevo sobre ti. Porque é isso que eu faço. Eu, madura, sento na cadeira da psicanálise e tento lidar com toda a minha bagunça. Eu, não tão madura, sento na cadeira e digito no computador, porque não dá pra digitar pra você.

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pode falar ::)

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