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Esse também é para você

Texto escrito em 29 de março de 2017.

Venho tentando ser mais madura em relação ao meu último término, mesmo que este não tenha sido muito maduro. Eu, apesar de tudo, venho tentando me colocar no lado do bendito. Tento imaginar que não pode ter sido fácil para ele também — apesar de aparentar ter sido a coisa mais fácil do mundo. Venho pensando que ele não soube lidar com tudo aquilo de uma forma decente, mas, talvez, a forma que ele lidou era a única forma que ele conseguia.

Percebo, hoje, que ele me deu o tempo que podia me dar. Que ele me entregou o amor que podia entregar. Que no fim ele não tinha mais nada a me oferecer. Por mais que meu coração — ainda — machucado sofra com isso, é necessário dizer que ele já não me amava mais.

Eu ainda não consegui identificar quando foi que deixou de ser amor, essa parte ainda não encaixa, talvez porque eu me sinta culpada por não ter notado. Mas quem quer notar que o amado já não nos ama mais? Ninguém. Eu não notei ele indo embora. Eu não notei que ele já não queria mais ficar. Hoje penso que se eu tivesse notado, a partida não seria tão doída.

Mas eu não notei. Não notei nada mesmo. Para mim tudo andava normalmente, os planos permaneciam planos, e o futuro seria nosso. Me lembro até hoje que marcamos, um pouco antes de tudo acontecer, uma viagem a Curitiba, que nunca fizemos. Nunca tive o prazer de levá-lo na Requinte, nem no Jardim Botânico, muito menos no Beto Batata que eu tanto amo. Não o levei para ver uma peça no Guaíra, nem passeamos pelo Largo da Ordem, ele nunca conheceu a Família Farinha. Pelo menos esses locais não me trazem lembranças.

Ele foi embora sorrateiramente. Numa tarde ensolarada de setembro. Ele foi embora dizendo que já voltava. Que era uma pausa. Um tempo necessário. Saiu pela porta deixando tudo aqui, como quem diz “guarda aí, que eu já volto”. Nunca mais voltou. Nunca mais me olhou. Nunca mais.

Às vezes eu ainda fico abismada com o fato de que nunca mais irei vê-lo. Vê-lo mesmo. Vê-lo com os mesmos olhos que eu o via antes, com a mesma paixão, com a mesma admiração, com o mesmo amor. Me dói um pouco quando penso que não sobrou nada. Mas logo passa.

Por incrível que pareça agora passa. Eu não choro mais, às vezes — lá de vez em quando — dá uma saudade, daquilo que fomos. Mas lembro que nunca mais seremos nada daquilo, e isso também passa. Ainda bem.

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