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Esse daqui é para nós.

18 de jan.
3 min de leitura

Achei que eu fosse sentir raiva para sempre. Achei que nunca conseguiria superar o fato dele ter ido embora. Dele ter escolhido que eu não era mais quem sempre fui. Achei que eu não seria capaz de suportar que não era mais eu.

Términos nem sempre são pacíficos (inclusive, acho que a maioria não é), quase sempre tem alguém que não queria que tudo tivesse um fim. Mas o relacionamento não consegue se manter somente com uma pessoa.

Eu tenho recebido algumas mensagens de pessoas que estão na mesma situação que eu me vi há quase um ano. E elas me perguntam como que superei essa fase. A resposta? Eu não sei. Em nenhum momento eu achei que fosse superar. Sei que não é o que a maioria das pessoas que buscam meus conselhos gostaria de ler, mas é a verdade.

Eu não sei.

Eu achei que não iria superar, e hoje consigo ver as fotos e os vídeos sem derramar uma lágrima sequer. Sinto uma pontada de dor, mas não me chateia mais.

Levar um pé na bunda (ainda mais quando você nunca espera) é uma merda. Sejamos honestos. Você quer se afundar no pote de sorvete, no prato de brigadeiro, pedir uma pizza com borda recheada só para você. Você come. E chora. Chora, e come. Ou se você for como eu, você não come nada. Quando eu levei um pé na bunda eu emagreci uns cinco quilos. Eu me alimentava de tristeza (é sério). Isso não é saudável.

Mas meu corpo não aceitava comida. Me lembro que meu ex namorado terminou comigo na segunda-feira e eu fui comer uma refeição decente só na sexta. Foi um hambúrguer, inclusive. Depois que a fossa passou eu engordei todos os quilos que tinha perdido. E acho que ganhei mais alguns.

Quando vi que ele estava namorando eu comi uns seis brigadeiros, enquanto chorava e o xingava mentalmente.

Eu fiz de tudo para esquecê-lo. Eu saí, eu bebi, eu coloquei a melhor roupa, cortei o cabelo, beijei outros. E nada funcionou. Meses se passaram e eu ainda me via chorando, não entendendo porque ele foi embora. A gente fica tentando criar vários cenários para descobrir o motivo da partida.

Hoje vejo que isso não importa. Ele partiu. Foda-se (perdoem o linguajar) o motivo.

Ele decidiu que não quer mais viver a vida ao seu lado. Ao meu lado. É direito dele. Talvez (assim como o meu) ele não tenha manifestado isso da forma correta. E nem demonstrado nenhum tipo de tristeza. Não leve para o lado pessoal. Cada um sofre do jeito que sabe.

Não achei que fosse superar, e cá estou eu escrevendo sobre ele enquanto deito na cama que ele deitou, com meu rosto livre de lágrimas. Isso pode não durar. Semana que vem eu posso chorar, mas hoje eu não chorei. Nem ontem. Nem semana passada. Cá entre nós, isso é uma vitória imensa.

Acho que o que eu estou tentando dizer (de certa forma) é que a superação vem com o tempo. Vem quando quer. Quando você está pronto para entender que provavelmente sempre vai amar o dito cujo (e tudo bem). Eu amo meu ex namorado (eu acho), mas isso não significa que eu o quero de volta. Significa que no tempo em que ficamos juntos ele significou muito. Eu o amei muito. Foda-se se ele não sentiu o mesmo no final. Foda-se se o amor dele acabou. Eu guardo as memórias que tive com ele com carinho. Como já disse antes, se não fosse ele não seria eu.

A superação vem no seu tempo. Meu maior conselho é: deixe que ela venha. Chore. Coma. Corra. Viva a sua vida. Mesmo quando a vontade de nunca mais viver seja imensa. Mesmo que você não queira levantar da cama e lidar com a realidade. Você consegue. Eu consegui. Chore para seus amigos, fale sobre ele (se quiser). Faça o que tiver que ser feito, depois chegue em casa e chore. Não tem problema.

Um dia o choro acaba. Um dia você se recupera. E talvez, assim como eu, você consiga sentir até um pouco de gratidão pelo que aconteceu. E siga em frente, assim como eu.

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