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Depois da partida.

Texto escrito em 28 de dezembro de 2016.


Eu nunca mais fui a mesma desde que ele se foi. Por mais que eu tente, acho que a pessoa que fui antes dele nunca mais voltará. E a pessoa que eu era com ele não sabe como ser sem ele. Por isso eu acho que nunca mais fui ninguém. Eu nunca mais consegui entrar no meu carro e não sentir falta daquela companhia maravilhosa que ele era, no banco do carona ou no banco do motorista. Eu não consigo passear pelo shopping e não lembrar das milhares de vezes que perambulamos por lá, das nossas mãos entrelaçadas, dos cinemas, dos chás e das idas à Zara. Eu não consigo soltar o meu cabelo sem lembrar que ele gostava dele solto. Nunca mais usei as roupas que comprei com ele.

Eu gostaria de dizer que nunca mais me diverti, mas seria a maior das mentiras. Eu me diverti muito desde que ele sumiu. Eu saí mais, eu bebi mais (bem mais), eu fui bem mais do que já tinha sido na vida. Mas em todos os momentos que me encontrei rindo, e aproveitando algo, eu senti falta dele. E quase todas as vezes eu chorei. Na balada, na piscina, no restaurante, no cinema. Tem lágrimas minhas espalhadas por todos os lugares. Eu chorei por ele em cada lugar que eu fui. Eu senti falta dele em todos os cantos desse país.

E depois de um mês eu achei que ia passar. Mas não passou. Hoje, quase quatro meses depois, eu ainda sinto falta daquele loiro, que me deu um sorriso numa madrugada tão banal. E sinto falta da mãe dele que conversava comigo e fazia um bolo maravilhoso, sinto falta de conversar com o irmão dele que fez Direito e com o irmão menor que só jogava. Eu sinto falta dos almoços, e dos guardanapos de bolinha que a mãe dele fazia. Eu sinto falta dos gatos, especialmente o laranja que deitava tão pacificamente no meu colo, como se eu sempre fosse estar ali.

Mas eu acho que o que eu mais sinto falta é de mim, porque não dá pra continuar sendo a mesma pessoa que alguém que você amou, deixou. Porque se olhar no espelho é uma tortura. Lembrar dos momentos que vocês passaram juntos é abrir uma ferida que jamais vai cicatrizar. Porque antes era você e eu. Éramos nós. E talvez, por isso, eu nunca mais fui.

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pode falar ::)

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