210 fotos.
- Victoria Passos

- 18 de jan.
- 3 min de leitura
Texto escrito em 05 de janeiro de 2017.
Fui inventar de arrumar o quarto hoje e achei meu Ipod. Ele não passou pela limpeza geral que eu fiz quando acabamos, ou seja, a senha ainda era nosso dia e nele ainda estavam todas as nossas fotos. Ok. Todas não, mas tinham algumas. Tinha a nossa primeira foto, dentro do 500, no pôr do sol, tinha a foto no elevador que foi parar no tumblr. Tinha foto com o Mosby. Tinha foto da foto do meu primeiro buquê de flores, que você me deu no primeiro mês de namoro. Tinha vídeo meu te enchendo o saco, como de costume. Tudo aquilo que eu fugi durante esses meses tava ali. E pela primeira vez eu consegui olhar todas elas e juro que escapou um sorriso.
Não por causa de você, inclusive foi incrível abrir uma foto sua e ver que agora você não me parece mais tão lindo. Inclusive eu vejo agora o quão pouco você me entregou. Mas o meu sorriso veio porque meu amor foi verdadeiro. Meu deus como eu te amei. Eu tirava todas aquelas fotos suas e aquelas fotos nossas porque eu queria expor todas elas na nossa casa. Eu queria dizer pro nosso filho o quanto a gente se amava. Eu queria um amor daqueles de cinema mesmo. E eu amei. Eu te amei. Como eu te amei bendito menino. Talvez, até alguns dias atrás, você tenha sido a pessoa que eu mais amei. Eu faria tudo por você. Eu largaria o Brasil, te acompanharia pela Europa inteira, largaria o concurso e viveria com você pelo mundo. De qualquer jeito, desde que a gente tivesse junto. Eu te amava desse tanto.
Mas hoje não te amo mais. E aquela raiva que eu tinha de você, sumiu. Eu vi todas as nossas 210 fotos que estavam no Ipod. Eu lembrei de cada momento. Eu respirei fundo e apaguei todas elas. E sorri. Porque eu amei você. Foi um amor lindo (pra mim), o meu amor por ti foi o meu maior amor até hoje. Eu te amei com tudo o que eu podia amar. Eu tinha lá meus defeitos, um pouco de ciúme aqui, um pouco de ciúme acolá, mas menino, não pode dizer jamais que não fosses amado. Meu olho brilhava de falar teu nome. Meu coração batia acelerado por você. Eu queria teu sobrenome. Eu queria você. Mas no fim, você não me quis.
E tudo bem. Graças a isso eu sofri, eu chorei, eu berrei para todos os deuses que eu não acredito. E doeu muito. Dói ainda. Mas agora dói bem pouco, quase nada. Dói mas logo passa. E graças a você eu aprendi a me amar mais. A me valorizar mais. Porque graças a você eu vi que eu posso amar muito. E por amar muito eu mereço alguém que me ame muito também. Eu mereço alguém que tenha prazer em tirar fotos comigo, que tenha prazer em passear com os cachorros comigo, eu mereço alguém que fique feliz do meu lado até em meio à tempestade. Porque eu ficava feliz com você em qualquer lugar, em qualquer situação. Então eu sei que é possível ter isso. Porque você teve.
Eu apaguei as fotos. E os vídeos. Não sobrou nada de você aqui, nem mesmo eu.

Comentários